Na sessão da Câmara de Mogi Guaçu, na última segunda-feira, o vereador Ivens Chiarelli (PMDB), cumpriu, mais uma vez, seu papel enquanto opositor ao atual governo municipal. Apontou falhas na administração e não poupou críticas ao prefeito Paulinho Barros (PV). Este é o papel legítimo de um vereador, ou seja, fiscalizar e denunciar falhas do Executivo. Infelizmente, Ivens extrapolou sua função ao virar suas baterias para a imprensa. Segundo o peemedebista, o atual chefe do Executivo, na ânsia de eleger a primeira-dama, Sandra Benitez de Barros (PV), pré-candidata à deputada estadual, estaria ‘comprando’ os meios de comunicação da cidade. Essa atitude de Barros, ainda de acordo com o vereador, seria uma tentativa de minimizar as críticas ao atual governo e promover a candidatura de mulher.
Os ataques, apesar de beirarem a paranóia, não teriam maiores consequências se Ivens não tivesse insinuado que ‘uma rádio da cidade’ estaria favorecendo o governo de Paulinho, uma vez que o editor é noivo de uma funcionária da Secretaria de Comunicação da Prefeitura. A rádio em questão é a Nova Onda FM, o editor é o jornalista Beto Amorim e a noiva é a jornalista Juliana Domingues, assessora de comunicação da Prefeitura. Talvez a frustração de não ter mais as benesses da administração à sua disposição tenha desnorteado o vereador. Isso porque ao chamar a rádio de ‘governista’, o vereador ofendeu toda a imprensa que cobre a Câmara. No caso da Nova Onda, a jornalista Karina Araújo é quem faz a cobertura dos fatos políticos naquela Casa. Trata-se de uma excelente profissional que, inclusive, já exerceu a mesma função de Juliana no governo de Hélio Miachon Bueno (PMDB). Além de imparcial, honesta e dotada de excelente caráter e inteligência, Karina jamais se sujeitaria a ser uma ‘repórter chapa-branca’. Muito menos a Nova Onda imporia tal absurdo a um de seus profissionais.
Por sinal, a rádio, mesmo pertencendo ao filho do prefeito de Mogi Mirim, Carlos Nelson Bueno (PSDB), sempre foi um canal aberto a todas as tendências políticas, independentemente do ponto de vista ideológico de da seus proprietários. Esta não é a primeira vez que Ivens Chiarelli comete esses ataques ensandecidos contra a mídia local. Também já insinuou que a Gazeta Guaçuana era parcial e tendenciosa. No ano passado, por exemplo, disse que “a imprensa só publica o que é ruim, que é para denegrir a imagem do vereador”. Afirmou ainda que “essa mesma imprensa, que deturpa a imagem do político, é a que mama na teta do Município”. A imprensa não precisa deturpar a imagem dos políticos neste País e também não é ela quem mama nas tetas do governo ou esconde dinheiro na meia. Os fatos falam por si. Inclusive aqui, em Mogi Guaçu, onde há acontecimentos que realmente comprometem a imagem dos políticos, como casos comprovados de compra de votos, desvio de milhões para pagar consultorias fantasmas, vereadores que gastam dinheiro público em viagens para congressos em paraísos turísticos, excesso de assessores parlamentares, etc. Talvez Ivens aprenda que ser oposição é também ser construtivo, não apenas caluniador.