Por Anderson Mendes
O distrito de Martinho Prado, em Mogi Guaçu, vai ganhar um novo velório dentro de três semanas, no máximo. E o assunto tem dominado as rodas de conversa nas calmas tardes do distrito. Não, não se discute o valor da ampliação do velório ou se o novo prédio vai ficar bonito. O tema preferido da conversa é especular quem irá inaugurá-lo!
O subprefeito de Martinho Prado, Pedro Leandro, não quer ser o primeiro a utilizá-lo. Já o comerciante José Paixão passa a bola para o servente de pedreiro Erisvaldo Monteiro da Silva, o China, que trabalha na obra, mas garante que jamais voltará ao velório depois de concluir o seu trabalho.
A auxiliar de educação Elizabete Sakai trabalha ao lado do velório, mas também não quer usá-lo. Mas estatisticamente, assim que concluída a reforma e ampliação do velório, em setembro, não vai demorar muito para o local ser inaugurado. É que o distrito registra de 3 a 5 mortes todo mês, em média, observa o administrador de Martinho Prado.
A maioria deles é enterrada em Conchal. O novo velório vai ter duas salas, banheiros adaptados para deficientes físicos e uma copa. “Isso aqui tá ficando bonito demais. Parece mais um salão de festa do que um velório”, orgulha-se Paixão. “Mas, por enquanto, não quero usá-lo não”, completou. “Esse novo velório vai acomodar melhor os familiares dos mortos”, disse China. “Espero que o velório demore a ser inaugurado”, torce Elizabete Sakai. “O velório é um mal necessário. E Martinho Prado merece ter um local decente para velar seus mortos”, ponderou Pedro Leandro.
Todos os quatro entrevistados pelo JC gozam de boa saúde e têm certeza de que não serão os primeiros a utilizar o novo espaço. Mas palpitam. Entre os nomes que saem das rodas de conversa, sobre os prováveis ‘inauguradores’ do velório, constam políticos de Brasília e do Município, entre eles, vereadores e alguns candidatos a deputado. Estes são ‘personas non gratas’ em Martinho Prado. Melhor passar longe. Ah, sim! O valor da reforma e ampliação do novo velório foi de R$ 93,8 mil.