Quando a tirania impera, a verdade é uma de suas primeiras vítimas. Desde o Século XV, quando o gráfico alemão Johannes Gutemberg assombrou o mundo com as primeiras prensas manuais, o ato de imprimir livros e jornais deu ao homem a capacidade de transmitir suas ideias e opiniões a milhares de seus semelhantes. Foi uma revolução só comparada, séculos mais tarde, à TV, ao rádio e, mais recentemente, à internet. A leitura e, portanto, a informação, deixou de ser um privilégio das classes mais abastadas. No entanto, informação demais pode ser algo perigoso, dependendo da ótica em que se observa. Tiranos e ditadores jamais gostaram da ideia de massas esclarecidas ou com opiniões próprias.
Mas como diz o ditado popular, não há mal que sempre dure ou bem que nunca se acabe. Uma das formas que os governantes encontraram para continuar controlando o povo foi cercear a liberdade de informações ou manipulá-las de acordo com seus interesses. Exemplos disso estão cheios na história recente da humanidade, como na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini ou no Brasil da ditadura militar. Aqui, as vítimas eram os que não compactuavam com os desmandos e com os crimes cometidos pelos generais. Mais uma vez, a imprensa foi fundamental na luta pela redemocratização do Brasil. Apesar de muitos terem tombado nessa batalha, os profissionais da comunicação jamais abandonaram a bandeira da liberdade. Mas mesmo hoje, no ápice da jovem democracia brasileira, ainda convivemos com arroubos ditatoriais de pseudodemocratas que não admitem críticas.
Em Mogi Mirim, um desses neotiranos acha que um determinado jornal da cidade não passa de um ‘pasquim’. O crime dos jornalistas desse periódico foi ter questionado coisas banais ao alcaide, como o custo da substituição de hidrômetros, qual é a vantagem dessa iniciativa, o porquê disso, etc. Foi o bastante para que a ira invadisse o corpo do ‘rei’. Essa não é a primeira vez que esse senhor sofre acessos de cólera. Suas ofensas contra a imprensa são comuns, especialmente quando se ousa a desafiar suas ideias ou seus pontos de vista. Felizmente, para as futuras gerações e para a democracia, ‘Tiranossauros’ como esse estão em extinção. Dentro de pouco tempo, deles, só restarão cinzas e notícias em arquivos de jornais. Ironicamente, essas informações estarão disponíveis nos mesmos jornais que, em vida, eles tentaram calar, empastelar.